A supervisão e o terapeuta que queremos ser Imprimir
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Outro dia um colega e professor que admiro muito fez um post em que dizia "o paciente não nos paga pela sessão, e sim pelo processo". Em seguida conduzia para uma discussão de que os terapeutas deveriam ser capazes de avaliar se os objetivos terapêuticos estão sendo alcançados e não se a sessão teria sido boa ou não. Afinal de contas, todos sabemos, sejamos psicólogos ou clientes, há sessões e sessões.

Coletar dados, construir a formulação do caso, estabelecer objetivos, compreender as sutilezas da relação terapêutica, levar em conta variáveis culturais e de gênero, intervir. Sempre me senti interessada em pensar como terapeutas aprendem a ser terapeutas.

Na nossa formação, devido ao caráter sigiloso da clínica, raramente ou nunca assistimos um atendimento "real", não acompanhamos um professor ou colegas atendendo. É toda uma aprendizagem solitária, sem possibilidade de consequências e feedbacks diretos (só do cliente). Como uma prática profissional tão privada pode resultar em uma prática comum entre todos que se dizem terapeutas?

A supervisão é uma das maneiras pela qual construímos repertório complexo, tão exigido na atuação clínica. Além de fortalecer o embasamento teórico, a conduta ética e a própria atuação, vale lembrar que a supervisão também é relação, envolve uma metodologia e deve ser capaz de respeitar o estilo terapêutico de cada psicólogo. E principalmente supervisão também é processo, é construção gradativa e logo exige contexto para que possamos nos vulnerabilizar numa relação de intimidade e assim buscar a direção de que terapeutas queremos ser!

Psic. Mariana Sartor (CRP 08/10020)